Relay.app fechou: o que aconteceu com a rival do Zapier e quando as contas são apagadas

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A Relay.app, ferramenta de automação de fluxos que se posicionava como rival do Zapier, publicou em 16 de julho de 2026 um aviso no próprio site anunciando o encerramento da operação. A partir daquela data as assinaturas pagas foram canceladas sem cobranças futuras, e novos cadastros e upgrades do plano gratuito para o pago foram desativados. Um mês depois, em 17 de agosto de 2026, veio a público que o fundador e CEO da empresa, Jacob Bank, tinha assumido como VP de Produto do Google Chrome, levando parte da equipe junto.
Quando as contas da Relay.app são apagadas
O encerramento aconteceu em duas datas, com prazos diferentes para quem pagava e para quem não pagava.
As contas gratuitas e todos os dados associados foram apagados permanentemente depois de sábado, 15 de agosto de 2026, às 23h59 no horário do Pacífico. As palavras são da própria Relay: "After Sat Aug 15 at 23:59 PT, free accounts and all associated data will be permanently deleted."
Os clientes pagantes ganharam 60 dias de acesso gratuito, até 14 de setembro de 2026, também às 23h59 PT. Nessa data as contas pagas e os dados são apagados. Enquanto este texto é publicado, em 1º de setembro de 2026, esse prazo ainda não venceu: quem pagava ainda tem acesso, e ainda dá tempo de exportar.
A empresa também ofereceu duas compensações: reembolso proporcional automático do tempo não usado para assinantes anuais, em até 5 dias úteis, e uma cota extra de 25.000 steps e 10.000 créditos de IA por mês durante os 60 dias de transição.
O que cada cliente teve de fazer sozinho
O resgate dos dados foi por conta do usuário. A Relay instruiu cada cliente a exportar um arquivo zip do workspace com workflows, sequences e servidores MCP em JSON, prompts de IA, histórico de execuções e tabelas em CSV.
Um detalhe importante fica fácil de perder no meio do aviso: as credenciais e os tokens de autenticação dos apps conectados que a Relay guardava são apagados junto com a conta. Nas palavras da empresa, "When your account is deleted, Relay.app's stored credentials and authentication tokens for connected apps will be deleted". Ou seja, o zip devolve a lógica das automações, não as conexões.
Quem era a Relay.app
Segundo o TechCrunch, a Relay.app foi fundada em julho de 2021 e saiu do beta em outubro de 2023, posicionada como concorrente do Zapier. A diferença que ela vendia era a aprovação humana: etapas em que uma pessoa entra no meio do fluxo automático para decidir se aquilo segue.
Dinheiro não foi o problema aparente. A empresa levantou US$ 8,1 milhões no total, em duas rodadas: US$ 5 milhões de seed liderados pela Khosla Ventures e US$ 3,1 milhões liderados pela Andreessen Horowitz (a16z), em outubro de 2023 — números reportados pelo TechCrunch e replicados por The Stack e Shopifreaks.
O Google comprou a Relay?
Não. A cobertura descreve o que aconteceu como contratação, não aquisição. TechCrunch (17/08/2026), The Stack (18/08/2026) e tooldirectory.ai (25/08/2026) relatam que o Google contratou Jacob Bank e vários funcionários da Relay, mas não comprou o produto nem a marca. A empresa foi desligada, não absorvida.
Bank assumiu como VP de Produto do Google Chrome, liderando os times de produto e de relações com desenvolvedores. Ele escreveu, sobre a mudança: "I've spent my whole career doing one thing: building tools that help people get more done with AI", e "We have some really ambitious plans to help you work with AI in Chrome to get things done."
O Google confirmou publicamente a chegada do grupo. Parisa Tabriz, da liderança do Chrome, escreveu no X: "Thrilled to welcome some awesome new folks to the Google Chrome team! 🎉 I first met [@jebank] ~6 years ago and was struck by his infectious optimism, passion for building, and customer focus."
Não é a primeira passagem de Bank pela empresa. Ele vendeu ao Google, em 2015, o app de agenda inteligente Timeful; ficou pouco mais de seis anos lá como líder de produto de Gmail, Google Calendar e Google Chat; e saiu em 2021 justamente para fundar a Relay. Ele voltou para a mesma empresa que já havia comprado uma empresa dele.
O que não foi respondido
Boa parte dessa história continua sem resposta pública, e vale nomear o que não se sabe.
- Por que a Relay fechou. O aviso da própria empresa não menciona o Google nem explica o motivo do encerramento. A ligação entre o fim da empresa e a ida do time é inferência da imprensa a partir da sequência de datas — 16 de julho o anúncio, 17 de agosto a contratação divulgada. Nenhum documento ou fonte interna descreve a negociação.
- Os termos. Nem o Google, nem Bank, nem a Relay divulgaram termos financeiros: se houve pagamento a investidores, o que acontece com o capital remanescente dos US$ 8,1 milhões, ou se sobrou alguma pessoa jurídica.
- Quantas pessoas foram. Todas as fontes dizem apenas "vários". Nenhum número foi publicado.
- O tamanho do estrago. Quantos clientes pagantes a Relay tinha, receita ou usuários ativos: a empresa nunca divulgou, e nenhuma fonte publica.
- O destino do produto. Bank fala em "ambitious plans" para IA no Chrome, mas nenhuma fonte liga uma funcionalidade da Relay a um recurso anunciado do navegador.
Para quem ainda tem um workspace pago aberto, a única informação com prazo é esta: 14 de setembro de 2026, 23h59 PT.


