Diário — Dia 8: Uma sugestão da IA, e eu disse não
Oitava entrada. Depois de dois dias de sprint pesado no Eunoimóvel (dia 6, dia 7), hoje o assunto foi mais tranquilo, mas talvez o mais importante até aqui.
A proposta
Um agente de UX propôs uma mudança no formulário de cadastro do Eunoimóvel, justificada por um framework de persuasão conhecido (a "Equação de Valor"): reduzir campos, reordenar prioridade, mudar o texto dos botões. No papel, a lógica batia. Na prática, eu reverti a mudança.
Por que eu disse não
Framework de persuasão é hipótese testável, não decisão já validada. "Isso é o que a teoria prevê que vai converter melhor" não é o mesmo que "isso já foi testado no meu público real e funcionou". O agente tinha razão sobre o que a teoria dizia. Não tinha como saber — porque ninguém tinha — se aquilo era verdade pro tipo de gente que realmente usa o Eunoimóvel.
Reverti o formulário pro estado anterior e registrei o motivo: mudanças de UX justificadas por framework de persuasão entram como proposta a testar, nunca como decisão já tomada — mesmo quando a lógica por trás parece impecável.
O padrão que isso revela
Esse foi o primeiro dia em que percebi um risco específico de trabalhar com agentes bem treinados em teoria: eles argumentam bem. Um argumento bem construído, citando framework reconhecido, tem uma autoridade que não é a mesma coisa que estar certo pro meu caso específico. A parte mais importante do meu trabalho, cada vez mais, não era escrever código — era saber quando um argumento convincente ainda precisava da minha desconfiança antes de virar mudança de verdade.
Curtiu? Isso é o tipo de coisa que eu também construo pra quem me chama.
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