← Todo o blog

Microsoft cancelou o Claude Code dos próprios engenheiros: o que aconteceu e por quê

Foto de jcomp no Freepik

A Microsoft determinou o fim da maior parte das licenças internas do Claude Code, a ferramenta de código da Anthropic, e mandou seus engenheiros migrarem para o GitHub Copilot CLI até 30 de junho de 2026. A decisão saiu em um memo interno de maio de 2026 e foi revelada por Tom Warren, do The Verge, na newsletter Notepad de 14 de maio de 2026. Nem a Microsoft nem a Anthropic se pronunciaram publicamente sobre o caso.

Quem decidiu e quem foi atingido

Segundo o The Verge e o Windows Central, o memo partiu de Rajesh Jha, vice-presidente executivo do grupo Experiences + Devices da Microsoft. Essa divisão reúne cinco áreas de produto: Windows, Microsoft 365, Outlook, Teams e Surface.

A cobertura fala em "a maior parte" das licenças, com exceções que não foram especificadas. Nenhum veículo publicou quantos engenheiros foram afetados. The Verge e Windows Central não dão número.

Por que a Microsoft cortou o Claude Code

A razão dada por escrito aos funcionários foi unificação de ferramental e a vantagem de usar um produto que a Microsoft pode moldar junto com o GitHub. O trecho do memo atribuído a Jha, citado literalmente pelo Windows Central em 15 de maio de 2026 e reproduzido idêntico por outros veículos, diz:

"When we began offering both Copilot CLI and Claude Code, our goal was to learn quickly, benchmark the tools in real engineering workflows, and understand what best supported our teams. Claude Code was an important part of that learning… at the same time, Copilot CLI has given us something especially important: a product we can help shape directly with GitHub for Microsoft's repos, workflows, security expectations, and engineering needs."

Custo não aparece nesse trecho. E o texto integral do memo não é público: só circulam trechos.

Então de onde veio a versão de que foi por dinheiro

De uma leitura da imprensa, ancorada em uma coincidência de calendário. O prazo de migração, 30 de junho de 2026, é também o último dia do ano fiscal da Microsoft. O Windows Central assina no próprio título que a decisão foi "likely driven by financial motives", ou seja, provavelmente movida por motivos financeiros. O People Matters registra a mesma coisa de outro jeito: a razão oficial foi unificação de ferramental, e o custo "também teve papel significativo" segundo reportagens.

Nenhum documento, memo ou declaração pública liga o corte a valor gasto. Da Microsoft, nenhuma cifra foi publicada, nem total, nem por engenheiro.

Os números de custo que circulam são de outra empresa

Aqui está o erro mais repetido sobre esse caso. Circulam como fatos da Microsoft três números: 5.000 engenheiros com Claude Code em dezembro de 2025, adoção de 84% a 95% até abril de 2026 e custo de US$ 500 a US$ 2.000 por engenheiro por mês. Nenhum deles tem fonte primária. Eles aparecem em agregadores que creditam o Windows Central, e o texto do Windows Central não traz nenhuma cifra de custo.

A faixa de US$ 500 a US$ 2.000 por engenheiro por mês é, na cobertura confiável, gasto do Uber. O People Matters a atribui explicitamente ao Uber.

O caso do Uber é real e é o que está sendo colado na Microsoft. Praveen Neppalli Naga, CTO do Uber, disse ao The Information que a empresa consumiu todo o orçamento anual de IA de 2026 em quatro meses e voltou "back to the drawing board", à prancheta. Andrew Macdonald, presidente e COO, falou sobre o retorno desse gasto: "That link is not there yet", o vínculo ainda não está lá. Forbes reportou o estouro em 17 de maio de 2026 e a Fortune detalhou o caso em 26 de maio. A partir do The Information, veículos reportaram também que o Uber passou a impor um teto de US$ 1.500 por mês por engenheiro em ferramentas de código com IA, e que 95% dos engenheiros da empresa usam ferramentas de IA mensalmente, com 70% do código commitado originado de IA.

São números do Uber. Não da Microsoft.

A parte que ninguém contesta

Segundo o The Verge, o Claude Code era popular demais dentro da Microsoft, "perhaps a little too popular". O Windows Central descreve a ferramenta como "vastly popular" e diz que os funcionários preferiam o Claude Code ao GitHub Copilot por diferença de recursos. Não existe pesquisa interna publicada nem fonte nomeada dentro da empresa sustentando isso, mas é o que os dois veículos relatam.

E enquanto tirava a ferramenta dos próprios engenheiros, a Microsoft seguiu vendendo a tecnologia da Anthropic para clientes. Os modelos Claude continuam disponíveis via Microsoft Foundry e via Copilot CLI, e o Microsoft 365 passou a oferecer o Claude como opção ao lado do ChatGPT, segundo o TechRadar, em reportagem de 15 de maio de 2026. Os dois fatos são do mesmo período.

O que ainda não dá para afirmar

Uma lista curta do que não foi confirmado por nenhuma fonte:

  • quanto a Microsoft gastava com Claude Code, em qualquer recorte;
  • quantos engenheiros perderam acesso;
  • se o corte foi de 100% das licenças, já que a cobertura fala em "a maior parte";
  • se a migração se completou em 30 de junho de 2026. Não localizei nenhuma reportagem posterior ao prazo confirmando execução, reversão ou adiamento;
  • se houve reação formal de engenheiros dentro da empresa, além da preferência relatada;
  • se a Anthropic foi avisada, negociou preço ou reagiu de alguma forma.

A hipótese regulatória levantada pelo Windows Central, ligando a decisão à aquisição da Cursor AI, é tratada como especulação pela própria matéria.

O que resta de sólido é isto: uma empresa tirou dos seus engenheiros a ferramenta que eles preferiam usar, escreveu que fez isso para unificar o ferramental, e no mesmo período seguiu revendendo a mesma tecnologia para os clientes dela.